Vejo a pequena Papelaria Betânia todos os dias. Fica perto de casa, numa movimentada praça do bairro. Hoje existe um entra e sai constante ali, mas há seis meses a coisa não era bem assim. Os poucos clientes que entravam na lojinha, corriam o risco de sair de lá frustrados e de mãos vazias. É que Maria, a proprietária, mantinha nas prateleiras uma pequena variedade de produtos, escolhidos por ela e que, evidentemente, não correspondiam às necessidades dos moradores da região.
Um dia, desanimada com a papelaria (e com a vida), Maria resolveu vendê-la. Achou que ia ser difícil, mas, para sua surpresa, Joana, sua funcionária, quis comprá-la. Maria só perguntou se a moça tinha certeza daquilo, pois não aceitava devolução. Recebeu de Joana um entusiástico sim e o negócio foi fechado.
Joana era a nova proprietária da Papelaria Betânia. Investiu suas poucas economias e assumiu uma dívida e tanto com Maria. Seis meses depois, o ambiente mudou. Vive cheio de gente e o caixa nunca viu tanto dinheiro entrando. Como isso aconteceu se, como dizia Maria, a papelaria era mau negócio?
Em primeiro lugar, o negócio não era ruim. Nunca foi. Ruim era o olhar de Maria sobre o negócio. Uma visão depressiva e derrotista que ela justificava como sendo realista. Um contraste com a visão empreendedora de Joana, que via na papelaria a oportunidade de sua vida e um universo cheio de possibilidades. Modelos mentais diferentes levando a resultados diferentes. Essa relação entre os resultados e nosso modelo mental, pode ser ilustrada pelo esquema abaixo.
Os resultados são uma conseqüência de nossas ações. Maria acreditava que não era bem assim e se dizia vítima de forças externas, fora de seu controle, como o Governo e o setor de papelaria que “não dava mais dinheiro.” Apesar de todas essas forças do Mal, Joana arriscou, pois sabia que os lamentos de Maria, não eram as verdadeiras causas do fracasso da Papelaria Betânia. Dependia dela, virar o jogo a seu favor. E virou!
Toda ação nasce de uma decisão. Grandes e pequenas escolhas ocupam, diariamente, boa parte do nosso tempo. Maria decidiu vender, Joana resolveu comprar. Decisões tomadas, um negócio foi fechado e a Papelaria Betânia estava sob nova direção. Mas, o que influenciou Maria e Joana a tomarem decisões tão opostas, no que diz respeito às motivações?
Foi o modelo mental que, em poucas palavras, é o nosso jeito de ver a vida. Uma concepção da realidade que nos cerca, construído a partir de nossas crenças, valores, preconceitos e também por todo aquele conteúdo submerso em nosso inconsciente.
Ocorre que, se esse modelo mental contiver distorções e não for freqüentemente revisto e atualizado, acaba por nos fazer enxergar miragens. O pior é que decidimos sobre assuntos importantes a partir dessas miragens. Agimos então baseados em falsas impressões e os resultados, evidentemente, não serão os melhores. Como é difícil admitir um erro, assumimos a posição de vítimas do mundo, embora o problema esteja dentro de nós, no nosso modelo mental arcaico.
- Mas, existe um cenário político e econômico desfavorável aos micro e pequenos empresários brasileiros. Não podemos desconsiderar isso. – pode alguém questionar.
Reclamar dos fatores externos é como dizer que o nosso time perdeu porque o campo estava ruim. Ocorre que o time adversário jogou no mesmo campo e venceu. Da mesma forma é verdade que 30% da pequenas empresas fecham nos dois primeiros anos de vida, porém 70% delas são bem sucedidas.
Diante disso surge uma pergunta: - Foi apenas o modelo mental mais arejado de Joana que garantiu o sucesso da nova Papelaria Betânia em apenas seis meses?
Na verdade não, mas isso eu conto no próximo.
Muito sucesso a todos e até lá!
Vitor Ribeiro
Sugestão de leitura: Metanóia, de Roberto Adami Tranjan, Editora Gente.
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