Os Caça-Glosas – parte 1
“Glosa é a recusa parcial ou total de uma fatura, pela operadora de plano de saúde, por considerar sua cobrança indevida, por erro ou omissão de alguma informação contida nas Guias de Tratamento (glosa administrativa) ou por falta de qualidade técnica dos procedimentos ou exames realizados nos beneficiários (glosa técnica)”.
Aqui no Atendo Convênios, glosa é sinônimo de prejuízo. Por conta disso, precisa ser combatida pelo CD e por todos os membros de sua equipe, que precisam transformar-se em verdadeiros “caça-glosas”!
Vale lembrar que a suspensão dos pagamentos pelos procedimentos realizados – cujos custos já saíram do seu caixa – é apenas uma das facetas do prejuízo da glosa. Há outras menos evidentes, mas igualmente importantes, tais como:
- O custo extra gerado com o retrabalho para reverter a glosa.
- A depreciação monetária que o valor glosado sofre até o seu recebimento 30 ou 40 dias após.
- O não-pagamento de alguns procedimentos quando não é possível reverter a glosa.
- O desgaste no relacionamento com a operadora, com o cliente e até com a equipe. A glosa, junto com a questão dos valores dos honorários, são fatores históricos de discórdias entre CD e operadoras.
- O estresse gerado por todo processo da glosa, vivenciado pelo CD e equipe, do seu.
Por tudo isso a glosa precisa ser elevada à categoria de inimigo N° 1 do seu negócio. Na verdade, ela é um inimigo de todo Sistema de Saúde Suplementar: prestadores de serviço, operadoras, empresas contratantes e beneficiários.
- Prejuízo para as operadoras? Mas não são elas que glosam? Deixando de pagar o CD, o dinheiro fica no caixa delas! Isso não é prejuízo, é lucro! – alguém poderia argumentar.
Infelizmente, algumas operadoras também pensam assim. Utilizam a glosa como forma de compensar seus erros de gestão e equilibrar problemas de caixa. Essa atitude decorre da falta de visão sistêmica e leva os gestores a não considerarem alguns prejuízos que não aparecem no fluxo de caixa das operadoras, tais como:
- O custo provocado pelo retrabalho dos departamentos de auditoria e financeiro por conta dos procedimentos glosados e suas revisões.
- O “lucro” das glosas que desaparece no mês seguinte quando a operadora precisa pagar os procedimentos glosados que foram corrigidos pelos credenciados nas revisões.
- Mesmo aquelas glosas não pagas por motivos reais – quando CD não recorre ou quando não podem ser revertidas – acabam por gerar prejuízos no relacionamento com a rede credenciada e com os beneficiários também. A imagem de uma empresa faz parte do seu patrimônio e precisa ser preservada.
Então me diga: temos ou não temos motivos suficientes para considerar a glosa como o Inimigo N° 1 daqueles que atuam no Sistema de Saúde Suplementar?
- Ok, mas é possível acabar (ou reduzir) com as glosas ou temos que conviver com elas, considerando-as como um “custo-convênio”?
Não só é possível como fundamental exterminar as glosas para que o negócio de atender convênios dê resultados positivos. Se isso não for feito, fica insustentável atuar como prestador de serviços na Saúde Suplementar. Este modelo de negócio trabalha com margens de lucro menores e com alta produtividade, portanto, quem a ele se dedica, não pode perder dinheiro e nem tempo com glosas.
O assunto não se esgota aqui. No próximo artigo vamos falar sobre ações positivas para exterminar essas assombrações financeiras chamadas glosas!
Vitor Ribeiro
Leia também meu blog Konduto: http://konduto.blogspot.com
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Janeiro de 2011
Notícias boas
Do ponto de vista financeiro, trabalhar com convênios pode parecer, à primeira vista, um mau negócio. Esse é o grande ponto de atrito entre CDs e operadoras, com aqueles se sentindo explorados.
A notícia ruim é que as operadoras nunca irão pagar o que você cobra do seu cliente particular. Não que elas não queiram, mas porque não podem, sob o risco de falir seus negócios.
A notícia boa é que você pode tornar o atendimento a convênios uma atividade lucrativa se conhecer, entre outras coisas, como é a geração de receitas dentro dele e usar isso a seu favor:
Receitas diretas:
São geradas pela produção dos procedimentos cobertos e o posterior pagamento por parte da operadora. Três aspectos são críticos para a geração de receitas diretas:
- O volume de clientes e procedimentos
- A produtividade
- A inexistência ou redução das glosas
Receitas indiretas:
Procedimentos não-cobertos
Advindas da execução de procedimentos não-cobertos cujos pagamentos são realizados diretamente pelo cliente. O valor é negociado livre e diretamente com o CD. Por isso é interessante ter meios de pagamento que financiem o tratamento para o cliente, utilizando cartões de débito ou crédito.
Indicações
O cliente de convênio é muito sensível ao bom atendimento e à criação de uma relação de confiança. Quando aprecia o tratamento recebido ele indica outras pessoas, aumentando assim os ganhos financeiros desse modelo de negócios.
Infelizmente, a maior parte dos CD não computa esses ganhos indiretos quando calculam a remuneração global auferida com o atendimento a convênios. Em algumas clínicas elas chegam a ser o dobro das receitas diretas. Isso compensa e ultrapassa o valor menor pago pelas operadoras.
Vitor Ribeiro

